Lembro-e, como se fosse ontem, do surgimento das "lotações". A cidade era um caos, o trânsito uma praça de guerra pouco melhor (ou pior nas áreas pobres da cidade), motoristas bradavam a plenos pulmões o destino de seus veículos, brigas, palavrões, corridas alucinadas por ruas esburacadas. Enfim, tudo aquilo que temos hoje era um pouco pior.
Por quê?
Porque o transporte público (que é feito por empresas privadas) guerreava com os ônibus fretados (as tais lotações) - havia uma batalha silenciosa, uma peleja entre ambos, uma verdadeira "caça" por passageiros, que NUNCA levou em conta a comodidade e segurança de seus clientes.
O que valia, sempre, era a velocidade e o maior número de pessoas dento do carro. Nem que para isso fosse necessário expremer desumanamente os passageiros entre bancos velhos e sujos, incapazes de abirgar até mesmo poucas pessoas, que se viam obrigadas a pagar taxas abusivas para serem levadas para casa.
Como é dito nos próprios ônibus: "Transporte, um dever do ESTADO, um direito do CIDADÃO".
Um hiato de muitos anos se passou, as Lotações foram regulamentadas após uma série de protestos, gritos, discussões, mas por fim, se decidiu que elas eram o melhor para todos (tal como a palavra ônibus, do latim "omnibus" - para todos).
Com a decisão de criar uma "área branca" vamos chamar assim no centro da cidade, o Prefeito Kassab não só prova coragem como uma certa ignorância aos problemas de transporte da cidade.
É visível que a frota de ônibus não só diminuiu, mas também não comporta os passageiros - em qualquer horário. Afastando as lotações do centro, o trabalhador terá uma única opção: baldeação.
Ou seja, TODO mundo vai pegar um mesmo ônibus até certo local, onde as lotações estarão disponíveis, descer, e ir para seu transporte. O que vai gerar MUITO mais gastos par a prefeitura e para as empresas de transporte.
Mas também vai gerar maior lucro.
O que me deixa a dúvida: será que esta é uma decisão que visa "livrar" o centro de São Paulo destes "inimigos", as lotações, OU uma decisão ligada diretamente ao dinheiro que as pessoas passarão a gastar com condução?
Afastando as conduções do centro, a única coisa que teremos serão lotações em outras áreas, criando tráfego intenso nesses locais. Mas, quem se importa, não é verdade?
Afinal, de dentro dos carros ou dos helicópteros, os donos das Viações não precisam fazer baldeação.








5 Testemunhos:
Ótimo post ! Sou usuário de fretado e espero que o bom senso supere a ganância !
Oi, tudo bem?
Sou Cinthia do blog farofadbatata e vim agradecer seu comment :)
Penso sobre seu post desde que soube da notícia...infelizmente até o direito de "ir e vir" é afetado no país :(
Poluição, desemprego, "clandestinidade"...parece que o governo procura.
Abraço!
O post é excelente, mas fretado e lotação são duas coisas distintas. As lotações eram aquelas peruas que o motorista praticamente gritava para ganhar passageiro, ficando logo lotadas de pessoas, enfiando 150 pessoas em um micro-ônibus.
Já os fretados são sistemas devidamente organizados por associações de passageiros, onde o transporte é pago em mensalidade e muito mais confortável (eu moro na Aricanduva e só uso um ônibus para ir ao trabalho, na região da Berrini, e ainda vou dormindo).
Leandro, desculpe o erro. Mas aqui onde moro, perto de Cotia, os fretados começaram quase como lotações e encararam os mesmos problemas.
Obrigado pela correção!
José,
Desculpa aí, não pensei que fosse assim tão diferente aí em Cotia (que é quase aqui do lado :) ).
Aqui em São Paulo, o sistema de fretamento têm mais tempo de vida que as lotações. Começou com as grandes empresas contratando empresas de fretamento para seus funcionários, até que associações começaram a serem criadas para suprir as necessidades daqueles que trabalhavam em empresas menores que não tinham condições de fretar ônibus para poucos funcionários.
já as lotações começaram nas greves de ônibus de 1995, se não me engano. Lembro que consegui chegar na escola depois do trabalho, e tive que voltar do Itaim Bibi para a Bela Vista a pé (apenas 15 km....).
A lei de fretados aqui têm quase trinta anos, as lotações não têm nem 15 ainda.
Abraçao.
Leandro.
Postar um comentário